ORIZON

ORIZON - Ortografia e identidade em caboverdiano

Em curso
Data
Referencia
https://doi.org/10.54499/2024.13731.PEX
Instituição financiadora
FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia
IR do Projeto
Fernanda Pratas

Este projeto de investigação pretende explorar as interseções entre variação linguística, representação ortográfica e identidade em Cabo Verde, através de uma abordagem interdisciplinar que combina descrições linguísticas detalhadas com uma perspetiva sociolinguística.

Sabe-se que a diversidade linguística deve ser valorizada numa sociedade progressista e inclusiva (UNESCO 2025). No entanto, para que esta variação interna possa ser plenamente aproveitada, o Caboverdiano deve ser integrado nos domínios formais, em especial na educação, através do desenvolvimento de dicionários, manuais escolares e outros recursos – o que requer uma ortografia padronizada. Esta necessidade conduz à questão central desta investigação: como é que a forte ligação identitária às variedades linguísticas internas influencia a adoção de um sistema ortográfico comum?

Diferentes estudos apontam para casos de resistência de certas comunidades a propostas ortográficas que não representam as suas particularidades linguísticas. Em Sebba (2007) encontramos uma reflexão envolvendo as dimensões sociais, culturais e políticas da ortografia,
desafiando a visão de que se trata de uma mera ferramenta linguística. Os sistemas ortográficos não são neutros; pelo contrário, são moldados por forças históricas, ideológicas e sociais que refletem relações de poder, disputas identitárias e transformações culturais. Não surpreende, portanto, que diferentes grupos desejem que a sua própria fala passe a ter um estatuto oficial, sendo possível identificar exemplos destas tensões por todo o mundo.

A equipa vai assim examinar a relação estreita entre padronização linguística e identidade, baseando-se ainda em estudos recentes noutros contextos multilíngues (e.g., Bissoonauth et al. no prelo; Lüpke 2018; Ardoino 2024, entre outros). Pretende-se analisar como as variedades do Caboverdiano são percebidas e de que forma esta perceção influencia as atitudes dos falantes quanto a um sistema ortográfico unificado. Na prática, serão dados dois passos pioneiros: (i) assegurada a representação escrita da variação fonológica, morfossintática e lexical de todas as ilhas, considerando ainda (ii) o discurso metalinguístico que sustenta a atual controvérsia sobre a padronização.

Ao explorar a interação entre diversidade linguística e identidade, teremos uma compreensão profunda de como a língua pode ser um fator unificador e divisivo na construção de uma identidade nacional. Os resultados irão contribuir para políticas linguísticas mais inclusivas e sensíveis, quer em Cabo Verde quer noutros contextos semelhantes: pela partilha de resultados em conferências internacionais (tais como encontros académicos africanos), a equipa irá participar no debate contemporâneo sobre padronização linguística, representação cultural e autonomia política em contextos pós-coloniais.

IR do Projeto
Parcerias
Universidade de Cabo Verde